O transporte do futuro foi o tema de reportagem e do Festival Globo News Prisma, promovidos pela Globo News no início de maio, com participação da ABVE.

O entrevistado e debatedor foi Thiago Sugahara, vice-presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) e chefe do Departamento de Assuntos Governamentais da Toyota do Brasil.

No dia 4/5, em entrevista ao vivo à repórter Thais Itaqui, Thiago defendeu a nova lei ambiental da cidade de São Paulo e o corte do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) dos veículos elétricos.

No dia seguinte, ele defendeu os mesmos temas num dos painéis do Festival Globo News Prisma, num espaço de coworking na Zona Oeste de São Paulo.

Também participou do debate a diretora do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, Clarisse Cunha Linke, com mediação do jornalista André Trigueiro.

A entrevista do diretor da ABVE foi realizada no interior de um E-Bus, ônibus totalmente elétrico da Metra, no Corredor ABD.

O E-Bus é o primeiro ônibus 100% elétrico fabricado no Brasil. Foi lançado em 2013 pela Eletra, empresa que também faz parte da ABVE.

Thiago Sugahara, vice-presidente da ABVE para Veículos Leves e diretor da Toyota

Thiago Sugahara falou sobre a importância da nova lei ambiental da cidade de São Paulo (Lei 16.802/2018) para a introdução de ônibus elétricos e híbridos na maior frota de transporte público do país.

Disse que é preciso “aprender com a experiência” da lei anterior (14.933/2009), que fracassou, para cobrar fiscalização no cumprimento das metas ambientais.

“Agora, haverá um acompanhamento da sociedade civil e da Associação Brasileira do Veículo Elétrico para garantir essa mudança na frota de ônibus de São Paulo”.

A Lei 16.802 foi aprovada em dezembro na Câmara Municipal de São Paulo e sancionada pelo então prefeito João Doria no dia 17 de janeiro.

Ela determina que os 14. 400 ônibus paulistanos terão de emitir 50% a menos de gás carbônico (CO²) em dez anos e zerar as emissões em 20 anos.

As mesmas metas fazem parte do edital da licitação da Prefeitura que escolherá os futuros concessionários do transporte público municipal, até o final do ano.

Se a lei e o edital forem cumpridos, as empresas de ônibus terão de trocar os veículos a diesel por ônibus elétricos –  entre 6 e 7 mil em dez anos e toda a frota em 20 anos.

AUTOMÓVEIS

Ao falar sobre o mercado de automóveis elétricos e híbridos, Thiago Sugahara cobrou para esse segmento o mesmo tratamento tributário dos veículos flex comuns. “O grande problema, hoje, é o IPI”.

“O veículo mais eficiente hoje em São Paulo faz em torno de 18 a 22 km por litro de combustível e paga 13% de IPI. Um veículo convencional, que faz entre 10 e 12 km por litro, paga 7%. Já um veículo 100% elétrico e alguns modelos híbridos pagam 25%. Qual a lógica desse sistema?”

A redução do IPI dos elétricos e híbridos é hoje a principal bandeira da ABVE para desenvolver esse mercado no Brasil.

Essa redução tem sido defendida pela ABVE nas reuniões preparatórias do novo programa automotivo Rota 2030, que o Governo Federal promete para breve.

O Rota 2030 é o programa que deverá substituir o antigo Inova Auto, que venceu no último dia 31 de dezembro.