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Artigo

Ação conjunta para maior uso de veículos elétricos

 

Para superar as diversas barreiras que limitam a opção por veículos elétricos é necessário haver cooperação efetiva das diversas empresas, entidades e indivíduos interessados nos benefícios que veículos elétricos podem proporcionar


Antonio Nunes Jr, diretor do INEE, 28/abril/2005

 

O mercado de veículos elétricos já é uma realidade em dezenas de países e está efetivamente se iniciando no Brasil. Veículos elétricos a bateria e híbridos de variados tipos, tecnologias, portes e aplicações são fabricados e comercializados para utilização em ambientes restritos e em vias públicas.


Pode-se afirmar que a intensificação do uso de veículos elétricos é uma tendência mundial irreversível. A venda desses veículos têm crescido bastante nos últimos anos em decorrência dos desenvolvimentos tecnológicos e dos processos de fabricação, responsáveis pela introdução de novas tecnologias e redução de preços de seus componentes principais. Os estímulos governamentais que visam o aumento da eficiência no uso da energia e a redução das emissões veiculares têm influenciado esse crescimento das vendas. O aumento das escalas de produção e a queda de preços acentuarão mais essa tendência.


Não há dúvida que energia e aquecimento global são preocupações centrais da atualidade. O uso de petróleo e de outros combustíveis fósseis é um dos problemas que mais pressionam no mundo hoje. As conseqüências das emissões veiculares no meio ambiente local, regional e global, e os danos comprovados para a saúde das pessoas e do planeta vêm demandando ações urgentes. No Brasil, o setor de transporte é crucial em termos de perda de energia e de emissões de poluentes. Segundo dados do Balanço Energético Nacional de 2003, aproximadamente 56% da energia utilizada no país tem origem fóssil (petróleo, carvão e gás natural). O setor de transporte consome 51% dos derivados de petróleo. Motocicletas, carros, vans, ônibus e caminhões produzem grande parte da poluição do ar. Novas tecnologias podem aumentar muito a eficiência do uso da energia nesses veículos e reduzir a poluição a um mínimo, mas elas precisam de políticas públicas focadas e outras ações na área privada para prosperarem.


O aumento de veículos elétricos na frota brasileira beneficiará a sociedade em geral, pela maior eficiência no uso da energia, o meio ambiente, pela redução das emissões e do ruído, as concessionárias elétricas, pelo surgimento de um novo mercado, as indústrias especializadas, pela facilitação de novos entrantes no mercado automotivo (veículos e componentes), o consumidor, pela redução esperada nos custos, e as empresas e outras entidades comprometidas com a responsabilidade social.


Os obstáculos a serem superados são os comuns a mudanças paradigmáticas. Há barreiras políticas e institucionais, especialmente referentes à legislação e às normas de eficiência energética e de emissões no segmento de transporte que são ou inexistentes ou em níveis mais reduzidos do que em países mais avançados e conscientes. Não há nenhum incentivo ao aumento da eficiência global (do poço a roda) e à redução da poluição (exceto quanto ao estabelecimento de limites máximos). Obstáculos culturais são bastante relevantes, pois os consumidores precisam ser informados das vantagens da nova tecnologia, ter garantias e se convencerem disso, pois, mesmo tendo consciência das perdas de energia e poluição causadas pelos veículos convencionais, não vão querer servir de cobaia. Os obstáculos econômicos são relacionados à viabilidade inicial das soluções, enquanto a escala de produção e as novas soluções tecnológicas não derrubam os preços. Aqui as possibilidades no âmbito da tributação federal e estadual, bem como dos incentivos que podem ser oferecidos em nível municipal ganham relevância destacada.


As ações individuais certamente são capazes de gerar resultados positivos, porém de menor alcance e a um custo maior. De fato, para superar as diversas barreiras que limitam a opção por veículos elétricos é necessário haver cooperação efetiva das diversas empresas, entidades e indivíduos interessados nos benefícios que veículos elétricos podem proporcionar.


A proposta é que essa cooperação seja efetivada através da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, como já existente em vários países.


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