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O trólebus do futuro, hoje
Sem o senso comum que ele pode ser uma alternativa aos problemas da poluição nas cidades brasileiras, o trólebus é visto como um veículo ideal para o transporte público na Europa
08/06/08 - Antonio Ferro

Ele nasceu na forma de uma carroça, mas que não necessitava de um cavalo para sua tração. O engenheiro alemão Werner von Siemens tratou de colocar um combustível ecologicamente correto para movimentar sua criação. Para isso ele conectou um cabo na rede pública de eletricidade e adaptou um pequeno motor elétrico ao sistema de acionamento por correntes que tracionavam sua máquina. Tudo isso no longínquo 1882. Como não corria em carris, o nome dado ao invento foi Elektromote. Termo não muito bem aceito, recebeu outro, Elektrich Ominbus, ou ônibus elétrico.

A eletricidade foi uma das grandes inovações para a sociedade mundial no século 19. Possibilitou que vários tipos de equipamentos fossem criados, proporcionando comodidade e conforto aos habitantes das grandes cidades, além de novos desenvolvimentos na área industrial. Os bondes, então puxados por cavalos e muares, foram os primeiros veículos a receber a tração elétrica. A operação comercial dos primeiros trólebus se deu apenas nos primeiros anos do século 20. A evolução do veículo permitiu que esse fosse utilizado em maior escala em um número cada vez maior de cidades ao redor do mundo. Sua flexibilidade foi a vantagem obtida frente ao bonde, não necessitando de um par de trilhos para a sua operação.

No Brasil sua aparição foi em São Paulo, no ano de 1949, com a primeira linha entre a Praça João Mendes e a Praça General Polidoro, na Aclimação. Quase 60 anos depois, por falta de uma política ambiental e de mobilidade que desse impulso a um sistema público de transporte correspondente com a evolução urbana, o trólebus no Brasil chegou a vias de extinção, sobrando apenas dois sistemas, mantidos no pioneirismo de São Paulo.

O tema é objeto de polêmica entre operadores, políticos, urbanistas e gestores do transporte. Se sua característica de tecnologia limpa não é suficiente para argumentos que o mantenha em atividade, podemos observar sua operação exemplar no corredor metropolitano que interliga a região sul da capital paulista com alguns municípios lindeiros com a metrópole, como São Bernardo do Campo, Diadema e Santo André. São 78 trólebus em operação por 23 quilômetros de vias exclusivas (o corredor possui 30 quilômetros de vias segregadas) que satisfazem plenamente o usuário e o meio ambiente. Veja a frota.

Trólebus do futuro
Se por aqui o trólebus não é consenso entre as partes, na Europa uma nova geração de ônibus elétricos, conhecidos como mega-trólebus, está ganhando notoriedade como forma de redesenho das redes urbanas de transporte sobre pneus, com ênfase no desafio de entrosar todas as peças do tabuleiro urbano (transporte público, mobilidade, crescimento estruturado e um ambiente sem poluição), com estética diferenciada, muito assemelhada ao bonde moderno.

Também conhecido como metrô ligeiro sobre pneus, o mega-trólebus tem o privilégio de correr na infra-estrutura viária presente nas médias e grandes cidades, ordem que implica em baixo custo de implantação do sistema. Essa configuração de veículo é mais um elemento associado à uma rede de transporte interligada por trens, metrô e ônibus. Da Itália, um exemplo de uso do novo conceito. Os habitantes da cidade de Bologna poderão usufruir de um sistema de vanguarda em se tratando de deslocamentos coletivos. A ATC - Transporte Público de Bologna - está implantando uma nova linha com o mega-trólebus, produzido pela Irisbus, para ligar o centro histórico da cidade à comuna (município) de San Lazzaro di Savena, distantes 18,9 quilômetros.
Trólebus
Os engenheiros da Irisbus, braço de ônibus das marcas Iveco e Renault, conceberam o Civis como uma leitura do que será o futuro dos ônibus urbanos, no presente. O desafio maior era harmonizar um sistema de transporte com o ambiente urbano, onde não houvesse impactos negativos gerados pela poluição atmosférica e visual e que promovesse um transporte rápido, confortável e seguro. O Civis é uma referência mundial em se tratando de conceitos estéticos incorporados em um ônibus urbano, com especial atenção para o design externo, muito próximo a um tramway, o bonde da nova era. Sua ampla área envidraçada confere aos passageiros uma visão extraordinária do ambiente externo. Seu interior foi pensado para que possa promover aos passageiros um espaço similar ao encontrado no bonde moderno.

Um dos principais atrativos do veículo que irá operar pela ATC é a ausência de poluentes emitidos, pois sua tração elétrica configura-se como a alternativa mais real para combater as emissões tóxicas das cidades modernas. A Irisbus informa que o Civis é um novo sistema de transporte urbano que brinda a qualidade com o alto nível de sofisticação nos deslocamentos diários nas urbes.

O veículo também apresenta outros diferenciais que o torna um modelo ímpar para o segmento urbano, como o sistema eletrônico de guia, que consiste em orientar sua trajetória como se ele estivesse sob a coordenação de trilhos. Desenvolvido pela Siemens, o sistema de guia óptico explora a tecnologia através do processamento de imagens. Uma câmera situada acima do pára-brisa do Civis capta e identifica os traços marcados no pavimento de rodagem e no meio fio, junto as calçadas. Esse dispositivo eletrônico envia as informações de visão, direção e obstáculos aos módulos do microcomputador instalado no interior do veículo, permitindo que ele se mova no modo “piloto automático”, sem a participação do motorista, que só assume a direção em casos extraordinários, como invasão de sua faixa de rolamento ou algum perigo eminente. Nas paradas de embarque e desembarque, o sistema de guia ainda assegura uma precisa distância máxima de 5 centímetros entre o veículo e a plataforma, o que facilita em muito a acessibilidade.
Roda motorizada
A roda motorizada é outro elemento inovador no modelo Civis. Desenvolvida pela Irisbus em cooperação com a francesa Alstom, possui dimensão extra-larga em seu pneu para acomodar o motor elétrico responsável pela tração do veículo. Ao todo são quatro rodas, que oferecem potência em torno de 320 KW ou 430 HP. Graças a eliminação do eixo convencional, a arquitetura do salão de passageiros oferece maior espaço na área das rodas, com largura de 860 mm, e um piso totalmente plano e baixo, pois elimina o espaço destinado a colocação do motor.

Para os organizadores do “Progetto Civis” da ATC, a implantação do sistema bolonhês não se limita apenas a prestação do serviço. Ele foi repetidas vezes considerado ao contexto do transporte, com a eliminação de barreiras arquitetônicas, do melhoramento do pavimento da via de rolamento, da sincronização dos semáforos e do aperfeiçoamento da rede elétrica. Sua operação ainda será intercambiada com os serviços de trens, bondes e ônibus convencionais, de modo a atender plenamente os requisitos de um transporte eficientemente elaborado. A rede elétrica do percurso terá 750 volts, permitindo melhor desempenho nas viagens realizadas pelo inovador veículo. A ATC encomendou à Irisbus um total de 49 Civis, que atenderão uma população de 400.000 pessoas, moradoras de Bologna e San Lazzaro di Savena.

Trólebus
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