Robert Stüssi revela algumas preocupações
16/10/09 - Jayme Buarque de Hollanda
Em 9 de outubro último, reuni-me, em Lisboa, com o Dr. Robert Stüssi, fundador da APVE - Associação Portuguesa de Veículos Elétricos e atual presidente da WEVA World Electric Vehicle Association (WEVA), que reúne as principais associações de veículos elétricos de abrangência continental. O Dr Stüssi participou, em maio de 2005, do VE-2005, 3º seminário e exposição de VE e foi um grande incentivador para criar a ABVE - Associação Brasileira do Veículo Elétrico.
Por limitações de agenda, a reunião foi relativamente curta, mas suficiente para registrar algumas observações desta autoridade. Stüssi iniciou comentando o grande aumento recente do interesse que o tema dos VE tem despertado entre políticos e montadoras, com grande repercussão na mídia em geral. Acha isto positivo, mas, ao mesmo tempo, teme pelo excesso de expectativa que se cria com abordagens às vezes "naive" de muitas pessoas com pequena experiência e familiaridade com o tema. Observa, por exemplo, que, preocupadas com a concorrência, empresas têm fixado metas e prazos irrealistas para o lançamento de veículos elétricos que muitas vezes acabam sendo revisados prejudicando um tratamento adequado do tema.
Nesta linha de preocupações, acha importante, por exemplo, esclarecer que embora o custo da energia elétrica por km rodado seja bem inferior à despesa com combustível líquido de um convencional, este tipo de comparação, deveria considerar também os custos para estocar a energia, consideravelmente maior no VE. Como outro exemplo de distorção cita um tema muito discutido na atualidade que enfatiza o "carregamento rápido" dos VE como uma forma de torná-los o mais parecidos possível com os veículos convencionais. Lembrando que o objetivo de carregar uma bateria em poucos minutos, mesmo que tecnicamente possível, implica em ligações de elevada potência e um forte impacto na rede elétrica distribuída que foi construída para atender necessidades de consumo com potências muito inferiores às necessárias para fazer o carregamento rápido.
Entende, assim, que é preciso estudar com a maior brevidade as novas questões que vão se colocar com a expansão dos VE. Entender bem em que aspecto o VE vai afetar as relações entre consumidores de energia elétrica e as redes de distribuição da energia. Nesta linha, através da AVERE - associação européia de veículos elétricos - está trabalhando para desenvolver o projeto MERGE. Ficou positivamente surpreso com a iniciativa da ABVE e do INEE que em junho do corrente ano organizaram o VER-2009 que inaugurou a discussão destes temas considerando a realidade brasileira.
Entende que a questão da tecnologia das baterias continuará sendo o item mais importante para definir o futuro dos VE. Observa que as montadoras tradicionais para quem baterias não era um item estratégico, hoje estão fazendo alianças estratégicas com fabricantes de baterias, pois a produção dos novos veículos elétricos - inclusive os híbridos - vai depender muito fortemente deste componente.
Despedindo-se desejou sucesso ao VE-2009 em novembro próximo lembrando que a presença da Electric Mobility Canada - a associação canadense de veículos elétricos - pode ser um passo importante para a criação de uma organização de âmbito do continente americano para tratar das questões regionais à semelhança do papel desenvolvido pela AVERE na Europa. Informou que virá ao Rio de Janeiro em abril de 2010 para participar do Chalange Bibendum, o rali organizado pela Michelin em que as montadoras apresentarão os progressos com os carros eficientes e de baixa emissão onde os VE devem ter uma importante participação.
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