Jayme Buarque, Presidente do Conselho Diretor da ABVE, faz apreciação de estatísticas recentes sobre a venda de veículos elétricos híbridos no mundo.
25/11/09
Os carros elétricos híbridos não são exatamente uma novidade: No início do século XX, a Porsche, fabricante de carros, fabricou diversos modelos de veículos elétrico-híbridos tanto de carros leves quanto de caminhões que foram usados para deslocar canhões com 100 toneladas durante a primeira guerra mundial.
A história moderna dos híbridos começa no final do século XX estimulada pelo programa “Partnership for a New Generation of Vehicles - PNGV”. Foi lançado pelo governo Clinton em 1993 que investia metade dos recursos para incentivar as montadoras norte-americanas a investirem no desenvolvimento de carros de passeio com um consumo de, 80 mpg - milhas por galão, de gasolina. A meta, teoricamente possível, exigia um grande salto de eficiência, pois o consumo médio dos carros novos na época era de 9,78 km/l. Lançado pouco depois da Rio-92, o programa tinha um objetivo ambiental e visava, sobretudo, reduzir as emissões veiculares.
O PNGV não definia a tecnologia, mas todas as propostas de “carro do futuro” especificavam veículos elétrico-híbridos. Em alguns a energia elétrica a bordo seria gerada por um motor a gasolina e em outros com células a combustível, processo eletro-químico que converte o hidrogênio diretamente em energia elétrica.
O programa gerou uma série de “veículos conceito” expostos em feiras e exposições. Ao que tudo indica, porém, não havia intenção de fabricar carros com a nova tecnologia de acionamento que introduzia uma ruptura tecnológica com relação aos paradigmas da indústria ao alterar de forma radical o conceito de acionamento veicular.
No outro lado do Pacífico, a Honda e a Toyota, certamente temendo ficarem atrasadas com relação às novas tecnologias de acionamento do PNGV, decidiram desenvolver veículos híbridos para lançar no mercado no final de 1997. Em 1998, foram vendidos, no mercado japonês, 19 mil veículos. Nos anos seguintes eles chegaram no mercado norte-americano, sobretudo na Califórnia onde havia estímulos específicos para os carros com baixa emissão e as vendas acabaram sendo alavancadas também pelo aumento dos preços do petróleo a partir do final do século.
Estatísticas recentes (Marklines) das vendas mundiais de veículos elétricos híbridos (fig.1) mostram um crescimento vigoroso, até 2007, à incrível taxa de 39% aa, atingindo um pouco mais de 510 mil carros em 2007, perdendo o ímpeto no ano seguinte quando as vendas ficaram no mesmo nível.
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A dificuldade para fazer projeções neste tipo de mudança tecnológica fica patente ao analisar a figura e considerar o número de fatores que estão em jogo. A tendência, porém, é que continue a expansão com a entrada de novos fabricantes e considerando que, somente em meados dos anos 90, as montadoras que não tinham aderido ao novo acionamento decidiram se preparar para oferecê-los ao mercado.
O exercício de projeção para 2009 e 2010 procurou ser conservador: embora as vendas em agosto de 2009 tenham superado 80 mil veículos, provavelmente este salto respondeu a uma demanda reprimida. Supusemos que as vendas a partir de agosto serão de 62 mil (média de março a agosto) e que terão um crescimento 0,5% ao mês, muito abaixo da média de crescimento histórica.
Não obstante, se observa um crescimento forte. Assumindo que as vendas totais de veículo se situem em 30 milhões, a penetração de mercado mundial já seria de 2,2% devendo superar 3% nos EUA em 2009, tendência que deve acelerar com a entrada dos híbridos “Plug-in”, que aliam as vantagens dos híbrido com a dos carros puramente a bateria.
Como os VEH são de 20 a 30% mais eficientes que os veículos convencionais equivalentes, o uso crescente deste acionamento será um dos principais fatores de aumento da eficiência energética no planeta. Vai contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater a poluição urbana pois uma parte importante do petróleo é inteiramente dirigido para esta aplicação.


