Falha nos Transportes Elétricos
Um impasse entre os Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento impediu o anúncio, pelo primeiro, de medidas favoráveis à difusão do emprego de carros elétricos.
31/05/2010
O impedimento decorre, aparentemente, de falta de informação e de efetiva prioridade da melhoria da qualidade ambiental e do desenvolvimento tecnológico e industrial do país.
Veículos elétricos podem ser a bateria, alimentada a partir da rede elétrica, ou híbridos. Estes contam com um gerador, a bordo, que fornece a eletricidade requerida pelo motor. Esse gerador é acionado por um motor de combustão interna, que pode consumir exclusivamente gasolina, diesel, biodiesel, etanol ou gás ou pode ser acionado por um motor flex. Qualquer que seja o motor de combustão interna que aciona o gerador, o veículo híbrido equipado com esse motor será mais econômico do que um veículo convencional acionado pelo mesmo e suas emissões nocivas substancialmente menores.
Veículos pesados, como os ônibus, podem ser acionados eletricamente, tendo seus geradores de bordo acionados por motores a etanol. Constituem, portanto, um valioso instrumento para que o etanol venha a substituir parte expressiva do consumo de óleo diesel, principalmente nas áreas urbanas, onde o problema causado pelas emissões é mais agudo.
A preocupação com a competição dos carros a bateria, que levaria à graves reduções do mercado de diversas tecnologias e de combustíveis é infundada, face às limitações que esses veículos ainda apresentam, em termos de autonomia e custo. Sua penetração nos mercados mundiais, embora certa, quando não sujeita a barreiras artificiais, será mais lenta do que a dos híbridos, que em dez anos alcançou cerca de 3% das vendas nos EUA, e a dos híbridos plug-in (cujas baterias também podem receber energia da rede) e que poderão suplantar a dos primeiros. Declarações recentes de dirigentes do setor automotivo, corroboradas pela prática de vários países indicam que, por enquanto, esses carros carecem de subsídios para estimular sua aquisição. Os que se apresentam mais promissores, a curto parazo, são veículos de uso local, de pequeno porte. Todavia, a indústria deve se preparar para o aumento da competitividade desses carros, pois a evolução tecnológica e o mercado sempre caminham no sentido da maior eficiência energética.
Todos esses veículos têm em comum custos iniciais mais elevados e custos operacionais bem inferiores aos de seus similares atuais. Consequentemente, seu emprego mais vantajoso é nas funções de utilização intensiva, como ônibus urbanos, taxis e serviços de entregas, principalmente. É o que já está acontecendo em muitas grandes cidades, como Nova York ou Milão, com notável benefício para o meio ambiente e para a economia de combustíveis. E envolve atividades para as quais eventuais subsídios são mais justificáveis.
Autor: Pietro Erber é Diretor-presidente da ABVE e Diretor do INEE
Um impasse entre os Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento impediu o anúncio, pelo primeiro, de medidas favoráveis à difusão do emprego de carros elétricos.
31/05/2010
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Veículos elétricos podem ser a bateria, alimentada a partir da rede elétrica, ou híbridos. Estes contam com um gerador, a bordo, que fornece a eletricidade requerida pelo motor. Esse gerador é acionado por um motor de combustão interna, que pode consumir exclusivamente gasolina, diesel, biodiesel, etanol ou gás ou pode ser acionado por um motor flex. Qualquer que seja o motor de combustão interna que aciona o gerador, o veículo híbrido equipado com esse motor será mais econômico do que um veículo convencional acionado pelo mesmo e suas emissões nocivas substancialmente menores.
Veículos pesados, como os ônibus, podem ser acionados eletricamente, tendo seus geradores de bordo acionados por motores a etanol. Constituem, portanto, um valioso instrumento para que o etanol venha a substituir parte expressiva do consumo de óleo diesel, principalmente nas áreas urbanas, onde o problema causado pelas emissões é mais agudo.
A preocupação com a competição dos carros a bateria, que levaria à graves reduções do mercado de diversas tecnologias e de combustíveis é infundada, face às limitações que esses veículos ainda apresentam, em termos de autonomia e custo. Sua penetração nos mercados mundiais, embora certa, quando não sujeita a barreiras artificiais, será mais lenta do que a dos híbridos, que em dez anos alcançou cerca de 3% das vendas nos EUA, e a dos híbridos plug-in (cujas baterias também podem receber energia da rede) e que poderão suplantar a dos primeiros. Declarações recentes de dirigentes do setor automotivo, corroboradas pela prática de vários países indicam que, por enquanto, esses carros carecem de subsídios para estimular sua aquisição. Os que se apresentam mais promissores, a curto parazo, são veículos de uso local, de pequeno porte. Todavia, a indústria deve se preparar para o aumento da competitividade desses carros, pois a evolução tecnológica e o mercado sempre caminham no sentido da maior eficiência energética.
Todos esses veículos têm em comum custos iniciais mais elevados e custos operacionais bem inferiores aos de seus similares atuais. Consequentemente, seu emprego mais vantajoso é nas funções de utilização intensiva, como ônibus urbanos, taxis e serviços de entregas, principalmente. É o que já está acontecendo em muitas grandes cidades, como Nova York ou Milão, com notável benefício para o meio ambiente e para a economia de combustíveis. E envolve atividades para as quais eventuais subsídios são mais justificáveis.
Autor: Pietro Erber é Diretor-presidente da ABVE e Diretor do INEE
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