"Gasolina e tomada": o carro elétrico está perto
Entrevista de Pietro Erber, presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) à Revista do Empresário
Maio/Junho 2010
Fonte: Revista do Empresário da ACRJ
Em meados de 2012, o consumidor brasileiro já poderá ter à disposição o carro híbrido em revendedoras do país. A opinião é de Pietro Erber, presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) e membro do Conselho de Energia da ACRJ .
1- Carro elétrico faz sentido no Brasil, que tem abundância de petróleo e etanol? A redução de emissões pode ser uma vantagem?
Quanto à redução de emissões, é evidente que a substituição de derivados de petróleo, seja por energia elétrica seja por etanol é desejável. Excedentes de petróleo e, eventualmente de etanol poderão ser exportados, muito provavelmente a preços crescentes. Embora a segurança energética do país provavelmente esteja assegurada nas duas próximas décadas, interessa ao país prolongá-la, mediante uso racional dos seus recursos naturais.
2- O veículo elétrico pode reduzir o mercado de etanol?
Ao contrário, pode ampliá-lo. Os veículos a bateria, alimentada pela rede elétrica, não utilizam combustíveis, embora eventualmente a energia elétrica utilizada seja total ou parcialmente gerada a partir da queima de algum combustível. Dadas às limitações decorrentes do custo e peso das baterias por unidade de energia armazenada, da ordem de US$1 mil/kWh, e que um carro elétrico percorre de 5 a 8 km por kWh, para que o carro elétrico tenha autonomia de 150 km sua bateria custaria em torno de US$23 mil, preço de um carro médio nos EUA.
Veículos pesados terão, em curto prazo, maior dificuldade de alcançarem a mesma autonomia, mas poderão ser utilizados em percursos menores.
Por outro lado, veículos híbridos, que não são alimentados pela rede elétrica, podem utilizar qualque combustível líquido ou GNV. É provável que carros híbridos no Brasil utilizem motores flex. Embora possam continuar a usar etanol, seu consumo será cerca de 25% a 30% menor, em virtude da maior eficiência do veículo como um todo (eficiência do tanque à roda). Outra vantagem do veículo híbrido é reduzir ainda mais as emissões de poluentes, além de CO2, como o monóxido de carbono, material particulado, aldeídos, etc.
3- O carregamento de baterias é um impedimento ao uso dos carros elétricos?
Temporariamente poderá constituir uma limitação para usuários que necessitem de grande autonomia, comparado à de um carro convencional. Mas a maioria dos usuários urbanos pecorre menos de 50 km por dia, o que lhe permitiria utilizar até um carro acionado a partir de baterias de chumbo-ácido, mais baratas do que as de lítio ou sódio. A questão é que a limitação da autonomia pode restringir as compras de carros a bateria à do segundo carro, apenas para a cidade. O carregamento das baterias em tomadas de baixa tensão varia de 4 a 8 horas, o que pode não ser impedimento para a maioria, pois o carro fica parado durante a noite.
4- O impacto do veículo a bateria e plug-in sobre a demanda de energia elétrica será muito grande? Poderá provocar falta de oferta?
A carga adicional dos veículos abastecidos pela rede elétrica será crescente, mas aumentará lentamente, com previsão de 1% da demanda global de energia elétrica do país em 2020 e cerca de 5%, em 2030.
Entrevista de Pietro Erber, presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) à Revista do Empresário
Maio/Junho 2010
Fonte: Revista do Empresário da ACRJ
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1- Carro elétrico faz sentido no Brasil, que tem abundância de petróleo e etanol? A redução de emissões pode ser uma vantagem?
Quanto à redução de emissões, é evidente que a substituição de derivados de petróleo, seja por energia elétrica seja por etanol é desejável. Excedentes de petróleo e, eventualmente de etanol poderão ser exportados, muito provavelmente a preços crescentes. Embora a segurança energética do país provavelmente esteja assegurada nas duas próximas décadas, interessa ao país prolongá-la, mediante uso racional dos seus recursos naturais.
2- O veículo elétrico pode reduzir o mercado de etanol?
Ao contrário, pode ampliá-lo. Os veículos a bateria, alimentada pela rede elétrica, não utilizam combustíveis, embora eventualmente a energia elétrica utilizada seja total ou parcialmente gerada a partir da queima de algum combustível. Dadas às limitações decorrentes do custo e peso das baterias por unidade de energia armazenada, da ordem de US$1 mil/kWh, e que um carro elétrico percorre de 5 a 8 km por kWh, para que o carro elétrico tenha autonomia de 150 km sua bateria custaria em torno de US$23 mil, preço de um carro médio nos EUA.
Veículos pesados terão, em curto prazo, maior dificuldade de alcançarem a mesma autonomia, mas poderão ser utilizados em percursos menores.
Por outro lado, veículos híbridos, que não são alimentados pela rede elétrica, podem utilizar qualque combustível líquido ou GNV. É provável que carros híbridos no Brasil utilizem motores flex. Embora possam continuar a usar etanol, seu consumo será cerca de 25% a 30% menor, em virtude da maior eficiência do veículo como um todo (eficiência do tanque à roda). Outra vantagem do veículo híbrido é reduzir ainda mais as emissões de poluentes, além de CO2, como o monóxido de carbono, material particulado, aldeídos, etc.
3- O carregamento de baterias é um impedimento ao uso dos carros elétricos?
Temporariamente poderá constituir uma limitação para usuários que necessitem de grande autonomia, comparado à de um carro convencional. Mas a maioria dos usuários urbanos pecorre menos de 50 km por dia, o que lhe permitiria utilizar até um carro acionado a partir de baterias de chumbo-ácido, mais baratas do que as de lítio ou sódio. A questão é que a limitação da autonomia pode restringir as compras de carros a bateria à do segundo carro, apenas para a cidade. O carregamento das baterias em tomadas de baixa tensão varia de 4 a 8 horas, o que pode não ser impedimento para a maioria, pois o carro fica parado durante a noite.
4- O impacto do veículo a bateria e plug-in sobre a demanda de energia elétrica será muito grande? Poderá provocar falta de oferta?
A carga adicional dos veículos abastecidos pela rede elétrica será crescente, mas aumentará lentamente, com previsão de 1% da demanda global de energia elétrica do país em 2020 e cerca de 5%, em 2030.
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