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Aquecimento global já é risco real aos negócios
Estudo da KPMG mostra que setores como petróleo, transporte, saúde e finanças serão os mais impactados
09/04/08 - Andréa Vialli - O Estado de São Paulo

Os setores de petróleo e gás, transportes, aviação, turismo, serviços de saúde e financeiro são os mais vulneráveis e menos preparados para lidar com os riscos trazidos pelo aquecimento global. A conclusão é da empresa de consultoria KPMG, que acaba de concluir um estudo internacional, ainda inédito no Brasil, sobre como as mudanças climáticas afetam os negócios das empresas.

A pesquisa, intitulada “Climate Change: Your Business” (Mudança Climática: Seu Negócio), analisou 18 setores da economia global e sua atuação nos cinco continentes, com base em relatórios setoriais e de empresas de todo o mundo, além de pareceres de 11 especialistas em economia e mudanças climáticas. O levantamento mostra que em apenas 30% dos relatórios as mudanças climáticas são descritas como um risco que já faz parte do dia-a-dia dos negócios e que pode levar a perdas financeiras. “A maioria dos relatórios mostra que os setores estão apenas mencionando que a mudança climática pode afetar seus negócios. Ou seja, não estão fazendo as contas de quanto isso vai custar”, diz Alexandre Heinermann, responsável pela área de sustentabilidade da KPMG do Brasil.

Os pesquisadores da KPMG dividiram os setores da economia em três grupos de risco. Além dos seis setores mais vulneráveis - que estão naquela que a KPMG chama de “Zona de Perigo”-, outros nove setores estão no “Meio do Caminho”: indústria automobilística, construção, seguros e resseguros, imobiliário, manufaturas, mineração e metalurgia, farmacêutico, varejo e infra-estrutura. Ou seja, eles estão expostos a riscos, mas têm tomado medidas para lidar com os impactos das mudanças climáticas em seus negócios. Na chamada “Zona de Segurança”, dos setores mais bem preparados para lidar com a questão, estão telecomunicações, químico e alimentos e bebidas.

O estudo mostra ainda que a percepção de risco por parte das companhias varia. Para a maioria (72%), o principal problema trazido pelas mudanças climáticas é de natureza regulatória: elas temem legislações mais rígidas em relação às emissões de poluentes, como já vem ocorrendo com os países da União Européia. Outro risco apontado como impactante é de natureza física, como catástrofes ambientais. Apenas 28% consideram os riscos para a reputação das empresas, ou seja, o quanto as questões ambientais podem afetar a credibilidade dos setores - e é nesse ponto que as empresas devem estar atentas, alerta Heinermann.

“Reputação e imagem são riscos reais, pois as empresas podem ser penalizadas, tanto por consumidores quanto por investidores, se tiverem sua imagem ligada à degradação ambiental.” Por outro lado, muitas empresas hoje estão abordando o tema da sustentabilidade como uma ferramenta de marketing. “Não se trata de uma nova moda. A questão ambiental traz impactos financeiros e de reputação, e é onde as empresas podem ganhar também, com a redução de custos de operação e oportunidades que surgem no mercado de carbono.”

O estudo confirma dados da ONU que mostram que o aquecimento global vai custar caro para todas as economias globais. Até 2030, estima-se que serão necessários entre US$ 200 bilhões e US$ 210 bilhões para manter os níveis de CO2 na atmosfera nos patamares atuais, o que representa 0,3% do PIB mundial. Se ações mais incisivas para reduzir as emissões não forem tomadas, esse número pode chegar a 5% do PIB.

Estudo KPMG

BRASIL

O relatório da KPMG não faz menção direta à economia brasileira. Mas muitos bancos já fazem análise de risco socioambiental antes de conceder empréstimo a empresas.

“No Brasil, os impactos das mudanças climáticas na economia não são imediatos e ainda são pouco conhecidos”, afirma Christopher Wells, superintendente da área de risco socioambiental do Banco Real. Segundo ele, essas questões não influenciam o crédito no primeiro momento, pois a maior parte dos financiamentos no País é de curto prazo, de um a três anos.

O banco já estuda os impactos das mudanças climáticas para a concessão de crédito para três setores: geração de energia, frigoríficos (no caso de expansão na região da Amazônia Legal) e agroindústria. “Hoje, analisamos aspectos mais práticos, como multas do Ibama, existência de trabalho escravo e contaminação de áreas. Esses fatores podem afetar o preço do financiamento ou mesmo restringir o crédito.”

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