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Equipe de carros solares nacionais funda Associação Alvorada
Entidade planeja campeonato de energias limpas no Brasil em 2009
04/06/08 - Bruna Dias

Em fevereiro deste ano foi criada a Associação Alvorada, uma OSCIP que trabalha para dar maior visibilidade aos carros solares e ao tema ambiental. A entidade projeta e constrói automóveis solares que são utilizados em competições internacionais específicas para este tipo de veículo, que utiliza energia limpa através da tração elétrica.

A associação resulta da união das quatro únicas equipes brasileiras de carros solares de competição: a USP Solar (a única acadêmica delas, sendo da Universidade de São Paulo), a The Banana Enterprise, a SunBA e a Xof1(The Power of One). A equipe USP Solar foi criada em 1995, com o nome de Poli Solar, formada por alunos de graduação e de pós-graduação, todos de engenharia, coordenados pelo professor da Escola Politécnica, Julio Cezar Adamowski.

Quando o engenheiro Vinicius Rodrigues de Moraes - um dos fundadores da AA e seu atual presidente - passou a coordenar a equipe, decidiu mudar seu nome para USP Solar porque a equipe havia se tornado multidisciplinar, com integrantes de outras unidades da universidade, como Largo São Francisco (Direito), Escola de Comunicações e Artes e Instituto de Física.

Equipe foi única representante de país em desenvolvimento na Phatheon Race

O primeiro automóvel solar da entidade, chamado The Banana Enterprise, foi construído pelo empresário Eduardo Bomeisel entre 1992 e 1993, quando a equipe brasileira participou pela primeira vez do World Solar Challenge, a mais conceituada competição de carros movidos a energia solar e energia limpa do mundo, que acontece na Austrália (Veja o vídeo (8.2M.wmv)). Atualmente, a Associação Alvorada possui quatro automóveis solares e já participou de quatro competições internacionais.

Banana Enterprise
Suas melhores colocações foram no World Solar Challenge, ficando na 18ª posição de 50 competidores, e na Phaethon Race durante os Jogos Olímpicos de 2004, na Grécia, chegando em 12º lugar de 18 participantes. Neste último, o grupo competiu com o Banana Entreprise, que foi totalmente reformado para a competição, e foi a única equipe representante de um país em desenvolvimento no evento.

A equipe brasileira enfrentou dificuldades desde o início da corrida. O carro sofreu danificações no transporte rodoviário de Paris para Atenas e, no segundo dia da prova, o painel solar foi dobrado ao meio por um forte vento. A organização do evento chegou a anunciar que os brasileiros estavam fora da competição, mas Vinicius de Moraes contou no Diário de Bordo que com a ajuda dos outros participantes foi possível voltar e terminar a corrida. Na Phanteon Race, os competidores tiveram cinco dias para percorrer um trajeto de 800 km pelo litoral grego.

Velocidade máxima já registrada para carro solar foi de 160 km/h

Além de maiores leveza, aerodinâmica e eficiência energética, os carros solares não geram ônus com consumo de combustível. As células fotovoltaicas (ou solares) presentes no automóvel convertem a energia luminosa em energia elétrica, que fica estocada nas baterias e acionam o motor elétrico. É por isso que mesmo sem incidência de luz é possível trafegar com um carro movido à luz solar.

"Um carro solar tem coeficiente de arraste aerodinâmico de 3 a 8 vezes menor que o de um automóvel comum, possui pneus de baixíssimo atrito de rolamento e pesa de 1/5 a 1/10 do que pesa um carro de passeio. Isso tudo faz com que o carro solar consiga alta velocidade com baixa potência, já que com a energia equivalente a 1L de gasolina é possível andar 600 km", enumera Vinicius de Moraes.

Segundo ele, a velocidade máxima já registrada para um carro solar foi de 160 km/h. O projeto e a construção dos carros solares da Associação Alvorada são totalmente feitos pela equipe brasileira, somente alguns componentes não são nacionais. As baterias, por exemplo, são importadas do Japão, as células fotovoltaicas e o motor são da Alemanha. O custo de fabricação destes automóveis varia de R$50 mil a R$3 milhões, mas a maioria dos carros custa em torno de R$150 mil a R$300 mil.

Carro solar utilizado na Phaethon Race
Banana Enterprise
O The Banana Enterprise possui 1,5 m de altura por 2 de largura por 6 de comprimento, e pesa 262,5 kg (um carro de passeio mede cerca de 1,5 por 2 por 4,5 metros e pesa mais de uma tonelada). Esse carro solar possui espaço para duas pessoas e foi construído em alumínio de alta resistência kevlar (tipo de polímero usado em coletes a prova de bala) e equipado com três rodas de alumínio e aço. A parte estrutural de seu painel fotovoltaico é de um sanduíche de fibra de carbono, "honeycomb" (estrutura em formato de favo de mel) de alumínio e novamente fibra de carbono, similar ao que se faz em aviões. Essa estrutura veio da EMBRAER, uma das patrocinadoras da entidade.

A energia do Sol é captada por um painel com 1100 células fotovoltaicas que move um motor elétrico de alta eficiência de 4 HP (os automóveis convencionais precisam ter, no mínimo, 50 HP). O motor, do tamanho de uma bola de futebol, tem mais de 90% de eficiência, contra 70%, dos motores elétricos comuns. O veículo possui também dez baterias de chumbo-ácido em série, de 12 Volts cada e com um fornecimento de 18 Ah.


Entidade planeja competição de carros elétricos no Brasil

O aventureiro dinamarquês Hans Tholstrup foi o precursor das competições e dos carros solares. Em 1983, ele desenhou e construiu o primeiro carro solar do mundo chamado Quiet Achiever e fez a travessia de quase 4 mil km entre as cidades de Perth e Sydney, na Austrália, em 20 dias. A iniciativa bem sucedida foi o embrião para a realização da mais famosa competição de carros elétricos do mundo.

Desde 1987 acontece a corrida World Solar Challenge, que teve edição comemorativa de 20 anos no ano passado, com carros antigos correndo. Na sua primeira edição, participaram 23 carros solares de sete países. O vencedor foi o Sunraycer, da General Motors, que percorreu o trajeto em 44 horas a uma velocidade média de 67 km/h.

Um dos objetivos de Vinicius Rodrigues de Moraes para a propagação dos automóveis solares no Brasil é justamente a realização de uma corrida de carros solares em território nacional. Para que isso aconteça, ele diz precisar de pelo menos dez automóveis solares brasileiros e de que mais equipes sejam montadas por todo o país. Para tal, o engenheiro passa o conhecimento adquirido até hoje na AA e ensina a diversas equipes para que elas possam, em médio prazo, montar seus próprios carros.

A previsão é de que a primeira competição brasileira usando energias limpas aconteça em 2009. "As competições são importantes por vários motivos, já que desenvolvem melhor a profissão, divulgam o uso da energia solar e dos veículos elétricos. São características que vêm crescendo ao longo das duas últimas décadas", esclarece. Ele acrescentou que o visionário Hans Tholstrup está organizando com a Associação Alvorada uma corrida de barcos solares que também será realizada no Brasil. Há ainda um outro evento sendo planejado por Tholstrup e a entidade, mas Vinicius prefere manter segredo.

Coordenador afirma que qualquer pessoa pode integrar equipe

A equipe, formada por mais de 100 pessoas, tem uma composição variada com professores, alunos de graduação e pós-graduação, empresários e executivos. O presidente da entidade é taxativo quando diz que qualquer pessoa que tenha interesse na área ambiental, e mais particularmente em energia limpa, pode integrar a equipe.

"Esse contato é importante para podermos ensinar, trocarmos experiências e ficarmos mais próximos para organizar o conhecimento e passá-lo para outras equipes que estão surgindo no país", afirma.

Dentre os maiores patrocinadores da historia das equipes que formam AA estão Petrobras, Citizen, Embraer, 3M, Siemens, Hamburg Süd, Magneti Marelli (Cofap), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), IBM, IEEE e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

A Associação Alvorada foi formalmente convidada para participar de duas corridas sancionadas pela Federation Internationale de L'Automobile (FIA) este ano: uma espécie de reedição da Phaethon 2004, que ocorreu em maio deste ano, e o South African Solar Challenge, que acontecerá em setembro e outubro próximos. A equipe preferiu focar seus esforços nas duas corridas que está organizando.

Acesse informações sobre competições internacionais:
World Solar Challenge - Veja o vídeo
North American Solar Challenge
South African Solar Challenge
World Solar Rally in Taiwan
Phatheon Race
Solar Boat Challenge
Frisian Solar Challenge
Dell-Winston School Solar Car Challenge
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