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Como o Brasil está se planejando para receber a Copa do Mundo de 2014?
Com viés ecológico, os planos de Pequim e Londres para Olimpíadas incluem transporte limpo e eficiente
13/08/08 - Bruna Dias

Na última sexta-feira, 8 de agosto, foi celebrada a abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, que tem como lema One World One Dream, um apelo de união para se construir um futuro melhor para a humanidade. Comprometida em sediar uma olimpíada "verde", Pequim sofreu com a preocupação de atletas e organizadores sobre o alto nível de poluição da cidade, tema que foi alvo de noticiários em todo o mundo.

Em 2012, a capital inglesa será sede da próxima edição dos Jogos Olímpicos, que tem a pretensão de ser a primeira olimpíada sustentável da história. Para tanto, foi contratado um corpo de inspeção independente, chamado de Comissão para uma Londres 2012 Sustentável. De acordo com o Plano de Sustentabilidade (4.3M.pdf) divulgado pelo Comitê Olímpico da cidade, pelo menos 20% da energia necessária durante a competição será abastecida pela infra-estrutura on-site de energia renovável.

Já o Brasil, pela segunda vez em sua história, vai sediar a Copa do Mundo em 2014. Para receber o maior evento de futebol do planeta, o Ministério do Turismo apresentou em maio ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva um Plano de Mobilidade Urbana (8.8M.zip) que prevê investimentos de R$ 38,5 bilhões no sistema de transporte das cidades que pleiteiam receber o evento - São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Recife e Olinda (PE), Natal (RN), Maceió (AL) e Brasília (DF).

Ministério do turismo brasileiro apresentou projeto de trem-bala entre Rio e São Paulo

O projeto brasileiro prevê que até 2014 mais linhas de metrô sejam construídas no conjunto das 11 cidades, num total de 100,9 km de extensão. O enfoque maior no estudo é São Paulo e Rio de Janeiro. Dentre os destaques, está o projeto de implantação de um trem de alta velocidade (TAV) que vai ligar Campinas a São Paulo e a capital paulistana ao Rio de Janeiro, com ligações aos principais aeroportos das três cidades. A previsão é de que o trem-bala fique pronto até 2014 e de que a viagem dure em torno de 80 minutos.

No entanto, exceto o plano apresentado pelo Ministério do Turismo, ainda não há qualquer projeto para a realização da Copa de 2014 no Brasil. A proposta elaborada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para receber o evento e entregue à FIFA não foi disponibilizada para a imprensa. Fora isso, ainda não foi criado um comitê organizador para a Copa do Mundo brasileira. De acordo com a CBF, isso só será feito quando as cidades-sede da competição forem definidas.

Veja o resumo dos investimentos

CidadeValorInvestimento
São PauloR$ 15,3 bilhões65,6 Km metrô + 279,5Km corredores de ônibus
Rio/São PauloR$ 15,3 bilhões550 Km de trem
Rio de JaneiroR$ 5,05 bilhões26 Km metrô + 111 km corredores de ônibus
NiteróiR$ 40 milhões28,8 Km corredores de ônibus
Belo HorizonteR$ 211,7 milhões5,5 Km corredores de ônibus
Porto AlegreR$ 1,208 bilhão82,2 km corredores ônibus + 9,3 km trem metropolitano + 1,2 Km aeromóvel
FortalezaR$ 189 milhões45 km corredores de ônibus
Recife/OlindaR$ 198 milhões15 km V.L.T.
NatalR$ 167 milhões3,5 km metrô + 43,2 Km recuperação de linhas (trem metropolitano)
MaceióR$ 141,3 milhões36 km trem metropolitano
BrasíliaR$ 710 milhões5,8 km metrô
TOTALR$ 38,51 bilhões 


Ônibus elétricos farão trajetos de atletas e jornalistas na Vila Olímpica de Pequim

Dentre as medidas adotadas pelo governo chinês para sediar um evento (parcialmente) ecológico está a adoção de 53 ônibus elétricos movidos a bateria de íon de lítio para fazer, exclusivamente, o translado oficial dos esportistas e jornalistas da Vila Olímpica aos centros de competições. Cada veículo pode transportar 80 pessoas por viagem e atingir até 130 km/h, com a bateria totalmente carregada.

Ônibus na Olimpíada de Pequim
Segundo informações do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim, cerca 500 veículos movidos a combustíveis alternativos serão utilizados durante a competição. De acordo com o Ministro de Ciência e Tecnologia chinês Wan Gang, além dos 53 veículos elétricos, estão incluídos 25 ônibus híbridos, 72 táxis híbridos, 72 carros movidos a célula combustível e mais de outros 320 modelos.

Diversas organizações de pesquisa, universidades e empresas estão envolvidas neste projeto, entre elas as Universidades de Tsinghua e de Tongji, a Chery Automobile e a Chang'na Motors. Segundo Gang, a idéia é de que os veículos continuem sendo utilizados após a Olimpíada. "Para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, isto (os veículos) não é simplesmente uma exibição durante as Olimpíadas, mas também o começo de uma indústria", disse. Também foram adotadas medidas ecológicas para os suprimentos de energia e água.
,br> Dos dois milhões de m² das instalações dos Jogos Olímpicos de 2008, 26,9% são abastecidos com energias solar e eólica. Os sete principais estádios são equipados com geradores solares, com uma capacidade total de 480 kW. A energia solar também é utilizada para abastecer 90% da iluminação da parte exterior dos estádios e para suprir a Vila Olímpica com água quente. E as instalações mais importantes são equipadas com coletores de água da chuva e estações de reciclagem de água do esgoto.

Londres prevê melhorias em transporte e incentivos para uso de bicicletas

No caso de Londres, alguns dos princípios do conceito One Planet Living são sustentabilidade no transporte e no uso da água, zero emissões de carbono e zero desperdício. O Plano de Transportes (4.8M.pdf) prevê melhorias nas estradas de ferro, trens e estações que serão utilizadas pelas visitantes durante os Jogos de Londres. Em meados de 2010, está prevista a entrada em operação de uma nova linha DLR (Docklands Light Rail) que ligará Stratford International a Canning Town. Serão comprados também 55 novos vagões, permitindo um aumento de 50% da capacidade de transporte em algumas linhas.
Trem Londres
Além disso, um novo sistema de sinalização na linha Jubilee do metrô londrino reduzirá o tempo da jornada e, com isso, aumentará em 25% a sua capacidade de transporte. Uma rede de ciclovias e rotas para caminhadas também serão desenvolvidas, conectando as áreas de instalações dos Jogos Olímpicos. O Comitê de Organização planeja uma área de estacionamento no parque olímpico com espaço para 5 mil bicicletas.

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