Quem sabe vamos ter, no futuro, uma pequena rede em corrente contínua em nossas casas para alimentar nossos equipamentos eletrônicos e nossos veículos elétricos
22/08/08 - Marcelo Rodrigues Soares
Em 1878, com 31 anos, Thomas Alva Edison -- um dos grandes inventores que passaram por este mundo -- propôs a si mesmo que inventaria luz a partir da energia elétrica (Wikipédia). Conseguiu seu feito um ano depois. Iluminou a rua do seu laboratório nas vizinhanças de Nova York para o Natal. Junto com isso comeá a corrida ao mundo da eletricidade ... Só que em corrente contínua.
Isso mesmo, aquela energia (CC como os engenheiros chamam) existente nas baterias dos nossos veículos automotores, celulares e lanternas.
Mas em 1856, nascia na região da Áustria, hoje Croácia, Nikola Tesla, filho de um reverendo que estudou e tornou-se Engenheiro Eletricista. Ao ler sua biografia completa tornei-me um fã do inventor.
Iniciou os estudos e aplicações na área de corrente alternada (nossa CA de nossas casas) e motores elétricos ainda na Europa (na empresa "Continental Edison Company"). Porém, quando se mudou para os EUA em 1884, adivinhem com quem Tesla trabalhou? Ele mesmo, Thomas Edison. Dois anos mais tarde as duas mentes brilhantes se desentenderam e Tesla começa com seu vôo solo em direção às sua idéias sobre corrente alternada.
Conheceu então um dos sobrenomes mais famosos na área de elétrica: George Whestinghouse, que com sua força política e os conhecimentos de corrente alternada de Tesla, conseguiram transmitir energia elétrica em uma linha de distribuição de trinta e poucos quilômetros de distância. Com isso, Nikola Tesla conseguiu a revanche que desejava sobre a corrente contínua de Edison.
Tesla nunca foi realmente reconhecido, apesar de ser o inventor da chamada Bobina de Tesla, que demonstrou os conceitos de ondas eletromagnéticas, utilizada hoje em dia no mundo das telecomunicações. Somente após a sua morte é que a corte suprema dos EUA declarou que Tesla era o verdadeiro inventor do rádio e não Marconi.
Os anos se passaram e Tesla viu suas idéias de corrente alternada reinarem no mundo. Hoje em dia seu nome é mais conhecido e reconhecido. Mas estamos em grande mudança ...
Apesar de ser seu fã incondicional, tenho que me render à utilidade da corrente contínua (CC).
Em uma pequena pesquisa caseira pude encontrar dezenove fontes (telefone sem fio, conte para o roteador wireless, decodificador da TV, impressora ...) que passam da tão sonhada corrente alternada de Nikola Tesla para seu próprio pesadelo: a corrente contínua de Thomas Alva Edison.
Junto com isso, vamos lendo na Internet sobre a melhoria dos rendimentos nas células fotovoltáicas, nossa tão sonhada super bateria para os veículos elétricos (VE), as células de combustível e os projetos de geração distribuída, aonde as casas poderão se tornar no futuro verdadeiros geradores independentes de energia ... E, pelo jeito, em corrente contínua!
Será que podemos então viajar um pouco com nossas idéias e começar a pensar em termos de corrente contínua específicas dentro de nossas casas? Será que Edison não estava, podemos dizer assim, não tão errado? Não podemos esquecer que nossa TV, computador, DVD e tantos outros possuem fontes internas que usam a energia de Tesla para alimentar nossos microprocessadores, +12Vcc; -12Vcc; +5Vcc; -5Vcc; +3,3Vcc. Puxa! Depois reclamam do Brasil com um monte de tensões de distribuição!
Pensar e sonhar não custa nada. Se no futuro tivermos uma, senão pequena, rede em corrente contínua em nossas casas para alimentar nossos equipamentos eletrônicos e nossos veículos elétricos, acho que faremos nosso amigo Tesla "tremer no caixão". Pior é ele saber que terei que somar Edison à minha lista particular dos grandes personagens da nossa história ... rsrsrs.
Abraços em CA e CC!



