A acirrada corrida pelo automóvel verde vai determinar quem serão os perdedores e os vencedores da indústria automotiva mundial
29/11/07 - Guilherme Fogaça - EXAME
No final dos anos 80, tudo parecia perfeito para a fabricante de automóveis Toyota. A economia japonesa estava em expansão, as vendas em alta e o modelo de luxo Lexus tinha sido muito bem recebido no mercado mais importante do mundo, os Estados Unidos. Mesmo assim, o então presidente da companhia, Eiji Toyoda, despertou um sentimento de crise entre seus principais engenheiros e pediu a eles que começassem a projetar veículos para satisfazer as futuras necessidades do século 21. A maior parte delas se relacionava à escassez dos recursos naturais e à necessidade de diminuição do impacto dos carros no meio ambiente. Alguns anos mais tarde, do outro lado do mundo, o então vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, lançava um programa para incentivar a indústria automotiva do país a projetar veículos com menor consumo de combustível e pensar em formas de reduzir as emissões de poluentes. As montadoras pegaram o dinheiro, mas usaram a verba apenas para produzir protótipos inviáveis, que jamais chegaram ao mercado. As posturas distintas levaram a resultados opostos. Em 1997, a Toyota lançou o Prius, primeiro carro com sistema híbrido de eletricidade e gasolina. Os americanos, por sua vez, perderam definitivamente a largada na disputa de um novo mercado -- o dos carros verdes.
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A dupla defende que os americanos demoraram demais para aceitar essa realidade. Os dirigentes das indústrias de petróleo e distribuição de combustíveis americanas também colaboraram para o atraso, por acreditar que a luta contra o aquecimento global levaria à destruição econômica de todo o setor. "O maior obstáculo para tornar Detroit verde é a cultura corporativa", afirmam os autores. Os consumidores também têm sua parcela de culpa. Ao contrário da Europa, onde os cidadãos temiam as conseqüências da elevação do nível do oceano, os americanos achavam que não tinham muito a perder com os problemas climáticos. Mais recentemente, essa percepção mudou. Eventos como o furacão Katrina, que em 2005 assolou a cidade de Nova Orleans no desastre natural que mais prejuízos ocasionou em toda a história dos Estados Unidos, fizeram os cidadãos refletirem sobre as conseqüências do atual modelo de consumo.
O fato de a Toyota ter ultrapassado por alguns meses deste ano a GM, líder mundial por mais de 70 anos, foi o alerta mais contundente de que as fabricantes americanas precisavam rever a estratégia. Carson e Vaitheeswaran afirmam que, atualmente, o país vive "um grande despertar" para os perigos do uso do petróleo -- e as montadoras, finalmente, decidiram agir. A GM, por exemplo, investiu 1 bilhão de dólares no desenvolvimento de um carro verde. O resultado é um sedã movido a eletricidade, o Chevrolet Volt, que só deve ser lançado no mercado em 2010. A californiana Tesla Motors é o mais representativo retrato do esforço americano para tentar recuperar o tempo perdido na corrida pelo carro sustentável. A empresa, criada em 2003 com dinheiro dos fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, nasceu com o objetivo de desenvolver carros elétricos de luxo. O primeiro modelo a sair das pranchetas foi o Tesla Roadster, capaz de viajar cerca de 400 quilômetros sem recarregar. O Roadster é mais rápido que uma Ferrari -- vai de zero a 100 quilômetros por hora em apenas 4 segundos. Trata-se, porém, de um modelo para poucos. Cada veículo custa 98 000 dólares.
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