O secretário de Transportes de Campinas, Carlos Barreira, confirmou nesta quarta (21/3) a criação de uma Área Branca, livre de combustíveis fósseis, no centro da cidade, até o final de 2018.

Numa audiência pública sobre o transporte municipal, na Prefeitura, o secretário lançou oficialmente a nova licitação, que prevê trocar parte dos ônibus a diesel por veículos elétricos e híbridos (íntegra abaixo).

As futuras linhas de corredores exclusivos (Bus Rapid Transit-BRT) também serão operadas por veículos não poluentes.

Carlos Barreira, secretário de Transportes de Campinas

O edital com as regras da licitação será lançado em maio.

O secretário espera assinar os primeiros contratos com as empresas de ônibus a partir de agosto.

A Secretaria de Transportes decidiu antecipar o fim dos atuais contratos assinados em 2006.

Os contratos venceriam em 2021, mas sofreram várias restrições do Tribunal de Contas do Estado, o que apressou a decisão da Prefeitura.

ÁREA BRANCA

Na Área Branca, só poderão entrar ônibus movidos a combustíveis não poluentes. Carros a gasolina terão restrições de circulação.

A região livre de combustíveis fósseis no centro terá 3 km² de área e 7 km de perímetro.

Campinas é a segunda grande cidade do Brasil – depois de São Paulo – a iniciar a renovação dos contratos da frota de ônibus, prevendo veículos elétricos e híbridos.

Hoje, a cidade tem 13 ônibus e três táxis elétricos. Instalou também dez eletropostos em vias de grande movimento e num shopping.

A atual frota operacional é de 1.070 ônibus, que circulam em 205 linhas e transportam 14 milhões passageiros/mês, ou 610 mil/dia, em 22 mil viagens/dia.

PRAZO E IPK

Segundo o secretário, o prazo das futuras concessões será de 15 anos. O critério de contratação será o menor preço ou a maior outorga, ou uma composição de ambos os modelos.

Um dos objetivos da licitação, disse Barreira, é reduzir o custo do transporte. A cidade tem 800 km² e um IPK (Índice de Passageiro por Km) de 1,5.

“É um IPK muito baixo, e isso faz com que nosso sistema seja mais caro. Queremos um sistema que atraia os passageiros, com tarifa adequada, ônibus limpos, que chegam no horário”.

CARACTERÍSTICAS

A licitação dos ônibus prevê:

-Veículos não poluentes no centro e nos corredores exclusivos;
-Tecnologia embarcada (Automatic Vehicle Location-AVL);
-BRTs com percursos em desnível (acima ou abaixo do nível da rua nos cruzamentos importantes);
-Contratos serão assinados com Sociedades de Propósito Específico (SPE);
-Bilhetagem eletrônica administrada pelas concessionárias;
-Meta de 100% de bilhetagem desembarcada (sem cobradores ou validadores nos ônibus);
-Divisão da cidade em seis áreas (hoje, são quatro), mais a Área Branca no centro;
-Indicadores para controle de poluentes da frota;
-Tarifa única, independentemente do percurso;
-Remuneração pelo custo do sistema e por indicadores de qualidade;
-Reajustes anuais, com possibilidade de revisão a cada três anos;
-Wi-fi e ar condicionado nas linhas “troncalizadas” e em algumas “alimentadoras”, mas não em toda a frota;
-Não haverá suporte para bicicletas nos ônibus e BRTs; só nos terminais;
-Monitoramento do comportamento dos motoristas, com câmeras.

NÚMEROS

Hoje, cinco empresas operam as quatro áreas do transporte coletivo municipal:

Área 1-Azul Claro: VB Transportes;
Área 2-Vermelha: Consórcio Concicamp (Itajaí e Expresso Campibus);
Área 3-Verde: Consórcio Urbcamp (VB Transportes e Coletivos Pádova);
Área 4- Azul Escuro: Onicamp Transportes.

Campinas tem a terceira maior economia do Estado e a 11ª do país, com PIB municipal de R$ 56,4 bilhões (IBGE/dezembro de 2017-Dados de 2015).

No Estado, fica atrás apenas de São Paulo e Osasco; no Brasil, supera capitais como Recife (PE), Goiânia (GO) e Vitória (ES).

A cidade tem a terceira população do Estado, de 1,18 milhão de habitantes (depois de São Paulo e Guarulhos); é a 14ª mais populosa do Brasil.

Uma de suas indústrias é a filial da chinesa BYD, fabricante de ônibus elétricos e baterias, inaugurada em abril de 2017.

Vídeo da Audiência (TV Câmara de Campinas):