Vendas de automóveis eletrificados no Brasil de janeiro a junho aumentam 221% sobre mesmo período de 2019 

O mercado de veículo elétricos e eletrificados no Brasil voltou a crescer em junho, revertendo a tendência de queda de abril e maio e retomando o ritmo forte do início do ano e final de 2019 (Ver quadro).

O total de vendas de autos e comerciais leves eletrificados no primeiro semestre de 2020 foi mais que o dobro do mesmo período de 2019, com aumento de 221% (de 2.356 unidades para 7.568).

É o melhor primeiro semestre da série histórica da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, com base nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores).

Adalberto Maluf

“Os números indicam que o segmento está superando o pior momento da crise causada pela Covid-19” – avaliou o presidente da ABVE, Adalberto Maluf.

“O importante é que o Brasil segue uma tendência dos grandes mercados do mundo: na saída da pandemia, o consumidor prefere os veículos elétricos não poluentes”.

A frota de veículos eletrificados em circulação no Brasil chegou a 30.092 unidades no final do primeiro semestre.

Junho de 2020 também registrou o maior total de vendas de autos eletrificados para o mês em toda série histórica (iniciada em 2012), com 1.334 unidades emplacadas.

Sobre junho de 2019, o aumento foi de 86% (de 716 para 1.334). Sobre maio de 2020, de 121% (de 601 para 1.334).

O desempenho de junho inverte a tendência de queda em abril (442) e maio (601), reaproximando-se do patamar do início do ano (janeiro: 1.568; fevereiro: 2.053; março: 1.570).

Os totais referem-se à soma de automóveis e comerciais leves 100% elétricos (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos não plug-in (HEV), emplacados pelo Renavam.

Não incluem ônibus, caminhões e outros veículos elétricos, como motos e e-bikes.

Rosane Santos

Para Rosane Santos, vice-presidente de Veículos Leves da ABVE, o mercado de autos eletrificados no Brasil mantém em 2020 o ritmo de crescimento do segundo semestre de 2019.

Em 2019, o Brasil registrou vendas/emplacamentos de 11.858 eletrificados – quase o triplo de 2018 (3.970).

“2019 foi um ano excepcional para a eletromobilidade no Brasil” – acrescentou Thiago Sugahara, também vice-presidente de Leves da ABVE.

O crescimento recorde foi puxado principalmente pelos autos híbridos, como o Toyota Corolla Híbrido Flex (o primeiro automóvel eletrificado produzido no Brasil), mas beneficiou todo o mercado.

Segundo estudo da ABVE, com raras exceções, praticamente todos os veículos eletrificados comercializados no Brasil tiveram aumento de vendas em 2019, incluindo os BEVs (100% a bateria) e os híbridos plug-in e não plug-in.

CONTRASTE

Embora o número de autos eletrificados ainda seja pequeno no Brasil em relação ao total da frota, a expressiva curva de crescimento desse segmento contrasta com a evolução recente do mercado convencional de veículos a combustão.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a indústria automobilística tradicional teve queda de 50,5% na produção e de 38,2% nas vendas/emplacamentos no primeiro semestre de 2020, em relação ao mesmo período de 2019.

A Anfavea projeta recuo de 40% nas vendas este ano.

Já no segmento de veículos elétricos e eletrificados, as vendas do primeiro semestre de 2020 apontaram na direção oposta.

Thiago Sugahara

Com 7.568 unidades, elas superaram o total anual de todos os anos da série histórica, exceto 2019 – chegando a 90% sobre as vendas de todo o ano de 2018 (3.970).

Na avaliação da ABVE, apesar do momento de retração do consumo, o processo de eletrificação dos diferentes modais de transporte é um caminho sem volta.

Os números sugerem que, como ocorre em outros países, a evolução dos VEs no Brasil segue um comportamento próprio, independente do conjunto do mercado de autos.

Com o início da produção de veículos híbridos no país (final de 2019) e a chegada de novos modelos no segundo semestre, que ampliarão a oferta de automóveis de baixa emissão, o Brasil poderá alcançar um novo marco no emplacamento de veículos eletrificados em 2020.