Correio da Bahia
16/03/2007
Coelba discute uso dos veículos elétricos
 

 
 

Cecília Mascarenhas

Realidade ainda distante no Brasil, os veículos elétricos (VE) vêm tendo adesão crescente nos Estados Unidos (EUA), França, Itália e Japão. A ameaça de aquecimento global reforça ainda mais a importância de trazer o debate às classes política e empresarial no sentido de viabilizar o produto no país. Até o momento, os EUA estão na dianteira do consumo, tendo comprado 252 mil dos 310 mil já comercializados no mundo. Para sensibilizar autoridades e lideranças empresarias sobre as vantagens do VE, a Coelba realizou ontem o seminário Veículos elétricos: futuro limpo para as pessoas e o planeta, uma das ações da empresa no Dia do Consumidor, comemorado ontem. Foram também apresentados alguns veículos movidos à energia elétrica.
 
Testes apontam a redução de 40% a 70% na emissão de poluentes, a depender do tipo de poluente, entre eles o dióxido de sódio e a fumaça escura. Outro atrativo é a menor dependência do petróleo. Mas, por enquanto, o que há no Brasil para o consumidor comum são as motonetas, espécies de motos, vendidas pela internet, que custam de R$3 mil a R$4 mil. Já o setor corporativo tem utilizado ônibus híbridos, que além do motor funcionando à base de diesel, tem também gerador de energia elétrica que contribui na composição da energia geral utilizada, possibilitando maior eficiência média do motor e uma economia de combustível estimada em 20% a 30%.

Novas tecnologias estão sendo desenvolvidas mundialmente para aprimorar e viabilizar o produto. No Brasil há um projeto em andamento. Trata-se de uma parceria entre a Usina Hidrelétrica de Itaipu e a suiça KWO, que conta com o apoio da Fiat, responsável por montar a estrutura do veículo elétrico brasileiro. “No momento, esse carro está disponível para empresas distribuidoras de energia elétrica, como a CPFL, em São Paulo para que sejam feitos testes diversos. É um carro completamente diferente, sem motor, sem caixa de câmbio”, explica o presidente da Associação, Antônio Nunes Júnior.

Segundo o superintendente de Regulação de Tarifas da Coelba, Eduardo Tanure, as distribuidoras de energia elétrica do país estão preparadas para atender uma possível demanda do mercado com os VEs em funcionamento. “Isso porque acreditamos que seria um desenvolvimento gradual, possibilitando uma adequação. Por outro lado, se aumenta muito essa demanda, há um impacto na tarifa para o consumidor de uma forma geral, pois é a lei de mercado: quanto maior a demanda, mais elevado o preço do produto ou serviço”, explica.

Ciente dos entraves à operacionalização desse segmento, o presidente da ABVE disse que carros híbridos com uso de energia renovável, a exemplo do biodiesel e do álcool já seria um grande avanço. ”Temos muito a fazer, seja em relação aos negócios seja em relação à legislação. É preciso que haja incentivos fiscais. Pois, hoje, uma das grandes barreiras é a econômica, já que um carro desses custa, em média, 15% a 40% a mais do que um veículo tradicional”, disse. A Coelba é uma das empresas sócias-fundadoras da ABVE, entidade que tem como objetivo a promoção da ampla adoção de veículos elétricos pela sociedade e pelo mercado para o transporte limpo e eficiente de pessoas e cargas.