SAIU NA MÍDIA

ABVE defende matriz limpa para transporte em debate sobre a velocidade das marginais

08/12/2016

O presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Guggisberg, esteve presente nesta terça (7), na Câmara Municipal de São Paulo, e considerou que além da discussão sobre a velocidade utilizadas nas marginais, a cidade de São Paulo também deve levar em conta a matriz de combustível do transporte público e particular. “As pessoas não morrem apenas por causa dos atropelamentos, milhares delas morrem todos os anos também por problemas causados pela poluição e pelas emissões de carbono” – afirmou. AUDIÊNCIA A audiência pública da Comissão Permanente de Trânsito, Transportes, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia da Câmara paulistana, presidida pelo vereador José Police Neto (PSD), debateu o anúncio do prefeito eleito de São Paulo, João Doria, de aumentar as velocidades máximas das marginais Tietê e Pinheiros. O principal argumento das entidades que defendem a manutenção das baixas velocidades nas marginais de São Paulo é a redução nos índices de mortes por atropelamentos na cidade, dados que chegaram a 419 em 2015 e 555 em 2015, de acordo com a ONG Cidadeapé, associação que defende os pedestres. Porém, mortes por acidentes não são as únicas relacionadas ao trânsito em São Paulo. Dados compilados pela ABVE indicam que o número de óbitos decorrentes da poluição atmosférica, causada, entre outros motivos, pelo uso de combustíveis fósseis na matriz energética de transportes, é alarmantemente maior. Uma pesquisa conduzida por Cristina Guimarães Rodrigues (Fipecafi-USP), Evangelina Vormittag (Instituto Saúde e Sustentabilidade), Júlia Affonso Cavalcante (FFLCH-USP) e Paulo Saldiva (Faculdade de Medicina da USP). e publicada na edição de setembro/dezembro de 2015 da “Revista Brasileira de Estudos da População”, aponta uma estimativa de 10.193 óbitos no Estado de São Paulo diretamente atribuíveis à poluição, em 2015, sendo cerca de 4 mil deles na capital. O mesmo estudo projetou 18.407 mortes em 2030 no Estado e um total de 246.375 no período 2011-2030, caso os índices atuais de material particulado lançados na atmosfera se mantenham nos níveis atuais. Estes dados indicam a urgência da mudança da matriz energética dos transportes e o potencial em qualidade de vida que os veículos híbridos e elétricos trarão à sociedade. LICITAÇÃO Ao final da audiência, o vereador José Police Neto concordou com a proposta do presidente da ABVE, referente à necessidade da troca das frotas metropolitanas, e disse que ele mesmo, em recente viagem à Europa, espantou-se com a quantidade de veículos elétricos já em circulação em vários países do continente – uma realidade ainda muito distante das cidades brasileiras. Disse ainda que a Comissão de Transportes da Câmara já reuniu um importante acervo de estudos sobre a mudança da matriz de combustível do transporte público paulistano, e convidou Ricardo Guggisberg a participar das discussões. Esses estudos subsidiarão o debate sobre a futura licitação para a renovação da frota de ônibus, que deve ser definida em meados de 2017. A ABVE defende que o futuro prefeito adote medidas para cumprir a meta fixada em 2008, pela própria Prefeitura, de estabelecer uma matriz energética majoritariamente limpa para o transporte público municipal, e se compromete a auxiliar o governo local na busca desse objetivo.

Fonte - ABVE