Notícia

13/08/2017

Os carros híbridos e elétricos que rodam no Brasil são todos importados. A ausência de uma indústria ligada a esses tipos de veículos que gere renda e emprego no Brasil é uma das dificuldades para que a tecnologia torne-se mais comum no país. “A Europa conta com a matriz das fábricas, por isso é possível planejar a substituição dos carros com motor a combustão”, diz o diretor da Associação Brasileira dos Veículos Elétricos (ABVE), Ricardo Takahira. Ele cobra a aprovação de projetos que tramitam no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, está o Projeto 65/2014, que obrigaria as concessionárias de energia elétrica a instalar pontos de recarga para veículos elétricos em vias públicas e em ambientes residenciais e comerciais. Já no Senado, o Projeto 174 prevê isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre a fabricação de automóveis elétricos ou híbridos a etanol. “Um carro popular 1.0 tem alíquota em média de 7,5% enquanto um carro elétrico (se produzido) pagaria 25%”, critica Takahira. Coordenador brasileiro do programa Veículo Elétrico da hidrelétrica Itaipu Binacional, Celso Novais afirma que ainda faltam alterações regulatórias que incentivem a utilização do carro elétrico ou híbrido. “A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) poderia permitir a venda de energia por terceiros. Hoje, apenas as concessionárias podem fazer essa comercialização, o que dificulta que um posto de gasolina, por exemplo, comercialize energia para automóveis”, diz Novais. A experiência de Itaipu na área de mobilidade elétrica está servindo de base para a elaboração da Rota 2030, nova política automotiva do país encabeçada pelos ministérios da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e de Minas e Energia (MME). Itaipu iniciou o investimento em carros elétricos em 2006 e já produziu internamente carros, ônibus, miniônibus e até um avião tripulado movido a energia elétrica. Em junho deste ano, Itaipu entregou um veículo elétrico ao ministro do MME, Fernando Coelho Filho, em regime de comodato para promover sua utilização. Para Takahira, no entanto, as discussões na Rota 2030 ainda são incipientes. “O carro elétrico foi inserido nas discussões sobre eficiência energética. Ainda é pouco, esperamos que na próxima rodada do projeto, em 2023, o tema tenha mais destaque”, disse. Sobre as definições da Rota 2030 acerca do carro elétrico, o MDIC informou, via assessoria de imprensa, que se trata de um tema prioritário, mas que não é possível apontar iniciativas concretas. As propostas para a primeira rodada da nova política podem ser apresentadas até setembro. E as ações começarão a ser colocadas em prática em janeiro de 2018. A Rota 2030 terá novas rodadas a cada cinco anos. As montadoras que atuam no país não têm uma planilha de investimentos definida. Itaipu. Em 11 anos de atuação em mobilidade elétrica, a hidrelétrica de Itaipu já investiu cerca de R$ 50 milhões. Só no desenvolvimento de uma bateria de sódio foram investidos R$ 6 milhões.

Fonte - O Tempo