A Toyota apresentou nesta segunda-feira (19/3), em São Paulo, o protótipo do primeiro veículo elétrico híbrido a etanol do mundo, o Prius flex.

O anúncio foi feito pela manhã no Palácio dos Bandeirantes e à tarde no escritório da agência de fomento Desenvolve SP no campus da Universidade de São Paulo.

O veículo começou um teste em condições reais de 1.500 km, num percurso entre São Paulo e Brasília.

CONFLUÊNCIA

Segundo o presidente da ABVE, Ricardo Guggisberg, o lançamento prova a confluência entre a mobilidade elétrica e os biocombustíveis.

A presidente da União das Indústrias da Cana-de-Açúcar (Unica), Elisabeth Farina, reconheceu que o Prius flex atesta a “coexistência” possível entre ambas as tecnologias.

Governador de São Paulo no volante do Prius, ao lado do presidente da Toyota Brasil, Rafael Chang

Pela manhã, a cerimônia teve a participação do governador Geraldo Alckmin, do presidente da Toyota do Brasil, Rafael Chang (foto), e do CEO da Toyota para América Latina e Caribe, Steve St. Angelo.

O governador elogiou a iniciativa e destacou as vantagens de um veículo de baixa emissão de poluentes para a saúde humana. “Hoje é um dia histórico”.

“O etanol emite menos carbono, pois é uma energia renovável através da cana-de-açúcar. É um feito extraordinário à saúde, ao consumidor e ao meio ambiente” – afirmou.

Alckmin chegou a posar para fotos sentado no volante do Prius flex, ao lado de Rafael Chang.

Steve St. Angelo acrescentou: “Estou muito orgulhoso de nossos engenheiros da Toyota do Brasil, que trabalharam com objetivo de desenvolver o veículo híbrido mais limpo do mundo”.

O Toyota Prius a etanol começou a tomar forma em 2015, com os primeiros testes conduzidos por engenheiros brasileiros e especialistas da USP e Universidade de Brasília.

Os técnicos usaram várias composições de gasolina e etanol. Os estudos preliminares indicaram que o melhor desempenho foi com etanol puro.

Todos os testes estão sendo acompanhados por engenheiros da matriz da Toyota no Japão.

Segundo Rafael Chang, o resultado “possibilitará a reabertura de um novo período de aprimoramento técnico de toda a cadeia automotiva”.

Num típico veículo elétrico híbrido, a energia do motor elétrico vem de uma bateria alimentada tanto por um ponto externo de recarga quanto por um motor gerador interno, a combustão.

A novidade do Prius flex é que o motor gerador – usualmente abastecido com gasolina – também pode usar etanol.

CRÍTICAS

Elisabeth Farina, presidente da Unica, reconheceu que o Prius flex demostra ser possível a colaboração entre a tecnologia dos biocombustíveis e a dos motores elétricos.

“Entendemos que estamos num processo de transição para novos cenários de mobilidade sustentável, e o etanol é parte deles”.

Nos últimos meses, empresários e especialistas ligados ao setor de etanol fizeram várias críticas à chegada ao Brasil da tendência mundial pela mobilidade elétrica.

No dia 6 de fevereiro, Elisabeth Farina chegou a declarar ao jornal “Valor Econômico” ser contra o estudo do governo federal de reduzir o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) dos veículos elétricos.

O corte do IPI dos elétricos e híbridos faz parte do programa automotivo Rota 2030, previsto para substituir o Inovar-Auto, que vigorou até o último dia 31 de dezembro.

O governo espera anunciar o novo regime automotivo depois das negociações entre o Mercosul e a União Europeia, que devem se encerrar em abril.

No último dia 14 de março, em Ribeirão Preto, o presidente Michel Temer prometeu divulgar o Rota 2030 “logo, logo”.

A redução do IPI dos atuais 25% para até 7%, mesma alíquota dos carros flex, é uma das principais reivindicações da ABVE.