Com 2.749 unidades emplacadas em setembro, o mercado brasileiro de automóveis, utilitários e comerciais leves eletrificados já comercializou 24.146 veículos em 2021 (quadro).

O resultado confirma a previsão da Associação Brasileira do Veículo Elétrico de que o segmento chegará a 30 mil emplacamentos entre janeiro a dezembro, o que representará um crescimento em torno de 52% sobre 2020 (19.745).

Os números são do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores/Ministério da Infraestrutura), compilados pela ABVE.

Incluem veículos híbridos elétricos (HEV), híbridos elétricos plug-in (PHEV) e veículos totalmente a bateria (BEV). Não incluem ônibus, caminhões e veículos elétricos levíssimos.

CAUTELA

Foi o melhor mês de setembro da série histórica da ABVE (iniciada em 2012), com crescimento de 30% sobre os 2.113 eletrificados de setembro de 2020.

Mas os 2.749 emplacamentos apresentaram uma queda de 29% sobre os 3.873 de agosto, revertendo uma tendência de recordes mensais sucessivos desde abril.

Essa redução no ritmo de crescimento das vendas indica uma cautela do mercado causada por vários fatores, entre eles o maior número de feriados de setembro, aumento do dólar, temores de racionamento de energia elétrica e possíveis mudanças no Imposto de Importação de veículos elétricos e híbridos.

Ainda assim, 2021 se consolida como o melhor ano da eletromobilidade no Brasil, confirmando uma curva de crescimento expressiva desde 2016, em contraste com a queda do mercado doméstico total de automóveis e comerciais leves.

Hoje, mais de 66 mil veículos elétricos e híbridos circulam no Brasil.

MARKET SHARE

Os veículos eletrificados atingiram em agosto 2,4% do total de vendas do mercado doméstico, mas caíram para 1,9% em setembro.

Confira a evolução do market share desse segmento:

  • Janeiro/dezembro de 2020: 1%
  • Janeiro/junho de 2021: 1,4%
  • Maio 21: 1,7%
  • Junho 21: 2%
  • Julho 21: 2,2%
  • Agosto 21: 2,4%
  • Setembro: 1,9%

Segundo Adalberto Maluf, presidente da ABVE, os números são positivos, mas ainda abaixo do potencial do mercado brasileiro de eletromobilidade.

No primeiro semestre de 2021 (janeiro a junho), os 732 veículos 100% elétricos (BEV) comercializados no Brasil representaram apenas 0,07% das vendas totais no período.

Na Europa, por exemplo, os BEV superaram os 8% de market share, com destaque para Alemanha, Holanda e Suécia, que emplacaram 11%, 11% e 16% de elétricos puros, respectivamente (fonte: ICCT). Na China, as vendas de veículos BEV superaram os 13%.

Em relação aos híbridos plug-in (PHEV), as vendas no Brasil de janeiro a junho de 21 foram de 5.102 elétricos, equivalentes a 0,5% do total.

Em comparação, na Europa, essa participação foi de 9%, com destaque para Alemanha e Suécia, que emplacaram 12% e 26% de veículos PHEV, respectivamente.

Já os híbridos não plug-in (HEV) chegaram a 8.065 no primeiro semestre no Brasil, ou 0,8% das vendas domésticas totais, com destaque para a grande comercialização de híbridos flex, que potencializam o uso do etanol, o principal biocombustível renovável do mundo.

“Temos o desafio de aumentar a participação dos veículos elétricos e híbridos flex no mercado nacional” – disse o presidente da ABVE.

“As empresas que geram mais inovação e novas tecnologias tendem a ser aquelas que pagam melhores salários e oferecem melhores produtos para o consumidor, além de respeitarem o meio ambiente e a qualidade de vida”.

“A eletromobilidade virou a principal tendência do mundo automotivo global, e para que o Brasil possa fazer parte dessa revolução precisamos criar condições para o desenvolvimento local de novas tecnologias” – acrescentou.

ELETROMOBILIDADE

Adalberto Maluf voltou a defender uma política nacional de eletromobilidade, com um conjunto de medidas de apoio ao transporte elétrico sustentável no Brasil.

Entre elas, a equiparação do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) dos veículos eletrificados à alíquota já em vigor para os veículos a combustão (7%), um programa de instalação de redes de eletropostos em rodovias interestaduais, estímulos à inovação e o desenvolvimento de programas para o transporte público eletrificado no Brasil.

No plano estadual, a ABVE defende incentivos tributários à eletromobilidade, a exemplo do anunciado há dez dias pelo governo de São Paulo, que reduziu a alíquota de ICMS dos veículos eletrificados (ônibus, caminhões e automóveis) de 18% para 14,5%.

Nos municípios, apoio à eletrificação de frotas de ônibus e de transporte urbano de carga, leis para instalação de infraestrutura de recarga elétrica nos edifícios residenciais e comerciais e redução de IPVA para veículos eletrificados.

“As cidades brasileiras podem seguir o exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro, que aprovaram amplas políticas municipais de enfrentamento às mudanças climáticas com incentivos às fontes renováveis e à mobilidade elétrica” – conclui o presidente da ABVE.